Breno Garibalde defende novo sistema para reestruturar o transporte público
- Breno Mendonca

- há 11 minutos
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O transporte público de Aracaju voltou a ser marcado pelo caos. Em meio ao encerramento das atividades da VRS, mais de 100 ônibus da empresa foram impedidos de deixar a garagem na última quinta-feira, 20, afetando a operação de linhas e aumentando a insegurança de passageiros que dependem diariamente do sistema para trabalhar, estudar e voltar para casa.
O episódio acontece em um sistema que já convive com reclamações recorrentes sobre atrasos, lotação, redução de linhas e dificuldades na operação. Ao mesmo tempo, Aracaju passa por um processo de modernização da frota, com a chegada de ônibus climatizados e elétricos.
Para o vereador e candidato a deputado federal Breno Garibalde, no entanto, a renovação dos veículos precisa vir acompanhada de uma mudança estrutural na forma como o transporte público é organizado e financiado. “Na quinta-feira você acordou pra pegar seu ônibus achando que seria mais um dia normal, com as dificuldades de sempre. Mas, num piscar de olhos, a situação que já era ruim piorou muito”, afirma o parlamentar.
Segundo Breno, o problema vai além da interrupção das atividades de uma empresa. “Empresa fechando do nada, trabalhadores e população sem segurança, nova empresa começando e já não dando conta das linhas noturnas, ônibus elétrico sem aguentar a quantidade de passageiros… É um caos.”
Para o vereador, a sucessão de problemas reforça a necessidade de avançar na construção de um novo modelo para o transporte coletivo da capital e da Região Metropolitana. Na avaliação dele, a discussão precisa superar disputas políticas e se concentrar em uma solução que garanta previsibilidade para as empresas e qualidade para quem utiliza o serviço.
Breno também defende que o processo de licitação do transporte público avance de forma responsável e sem que interesses político-partidários acabem dificultando a construção de uma solução definitiva. Para ele, a disputa política não pode se sobrepor à necessidade de reorganizar um serviço essencial para a população.
“Enquanto o Brasil avança no debate da tarifa zero, a Grande Aracaju segue amargando uma das tarifas mais caras do país e um sistema que não consegue funcionar. Quando é que a gente vai reconhecer que, dessa forma, não vai funcionar nunca?”, questiona.
A crítica de Breno está direcionada principalmente ao modelo de financiamento e remuneração do transporte coletivo. Na avaliação do parlamentar, manter a lógica baseada na quantidade de passageiros transportados cria distorções e não garante, necessariamente, a qualidade do serviço prestado.
“Nosso mandato contratou um estudo que mostrou que a tarifa não pode mais ser cobrada por passageiro, mas sim por quilômetro rodado. Isso baratearia a passagem e daria mais segurança para quem opera o sistema”, defende.
A proposta parte de uma mudança na lógica de remuneração das empresas: em vez de depender diretamente da quantidade de passageiros pagantes, o operador seria remunerado pela prestação efetiva do serviço, considerando a quilometragem percorrida e critérios de qualidade e regularidade.
Para o vereador, o momento de crise deveria ser aproveitado para acelerar o debate sobre o futuro do transporte, e não para ampliar disputas políticas em torno de um problema que afeta diariamente toda a população. “É difícil demais entender ou é falta de vontade mesmo?”, provoca Breno.
Texto: Nayana Araujo Foto: Ascom





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