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Breno Garibalde: “O modelo de cidade está sendo pensado de forma equivocada”

  • Foto do escritor: Breno Mendonca
    Breno Mendonca
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Durante o pequeno expediente da Câmara de Aracaju, na manhã desta quarta-feira, 8, o vereador Breno Garibalde voltou a chamar atenção para os desafios da mobilidade urbana na capital sergipana. Em seu discurso, o parlamentar reconheceu avanços na atual gestão, mas ressaltou que ainda há um longo caminho a ser percorrido, sobretudo no que diz respeito ao planejamento integrado e à qualidade do transporte público.


Breno destacou que a mobilidade urbana deve ser pensada de forma ampla, começando pela infraestrutura básica das calçadas. Segundo ele, a falta de acessibilidade compromete o deslocamento da população e desestimula o uso de modais alternativos e coletivos. “A mobilidade urbana começa na porta de casa. Sem calçadas acessíveis, como incentivar o cidadão a sair a pé, de bicicleta ou utilizar o transporte público?”, questionou.


O vereador também relatou sua própria experiência ao se deslocar de bicicleta até a Câmara, apontando os riscos enfrentados por ciclistas no trânsito da cidade. Para ele, a ausência de integração entre os órgãos responsáveis e a inexistência de um plano estruturado contribuem para o crescimento desordenado da capital.


Outro ponto da fala do parlamentar foi a crítica à visão limitada de que a mobilidade urbana se resolve com obras viárias, como pontes e viadutos. Breno defendeu que o foco deve estar na melhoria do transporte público, visto por ele como um problema histórico em Aracaju. “A população tem sido empurrada para o uso da motocicleta, um meio individual e mais barato, mas que traz consequências graves”, afirmou.


O parlamentar citou dados do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), indicando que mais de 14 acidentes com motocicletas são registrados diariamente e que cerca de 80% dos atendimentos do setor de trauma estão relacionados a esse tipo de ocorrência. Para ele, a falta de investimento em transporte coletivo contribui diretamente para esse cenário, gerando impactos também nos custos do sistema público de saúde.


Para o vereador, a solução passa por uma mudança estrutural no modelo de cidade, com investimentos consistentes em transporte público de qualidade. Ele voltou a defender a implementação da tarifa zero e a criação de um sistema integrado em nível nacional. “Se temos um sistema único de saúde que funciona, por que não pensar em um sistema único de transporte, com investimento federal e garantia do direito de ir e vir?”, questionou.


Breno também relembrou iniciativas do seu mandato, como a destinação de emendas para garantir a gratuidade no transporte de estudantes durante a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), destacando que muitos jovens deixam de fazer a prova por não terem condições de arcar nem mesmo com a meia passagem.


Ao final de sua fala, o vereador reforçou a necessidade de tratar a mobilidade urbana como um direito fundamental. “Precisamos repensar o modelo de cidade. A mobilidade está sendo pensada de forma equivocada, e isso impacta diretamente o direito das pessoas de circular com dignidade”, concluiu.

 
 
 

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